"... eu não demorei muito, apenas peguei um papel e uma caneta. Rabisquei algumas palavras que me provocaram o dia todo; elas fizeram sentido, quando as coloquei em ordem:
'essa luta constante por não deixar que quem eu amo vá embora, mesmo com o mal que me façam, me fez perceber que não importa para onde se vai e sim com quem se está indo. Muito menos importante é o mal que ela lhe fará! O amor ainda não é menor que a treva. Enquanto ele existir, eu estarei correndo para encontrar quem eu amo.
Eu acredito que a transformação do mal para bem está na fé. Não é fácil e não precisa ser. Se fosse fácil não seria prazeroso a recompensa.
Eu ainda não aprendi a me esconder. Eu amo o bem mesmo que isso inclua o mal, assim, amo quem eu amo pelo mal e pelo bem; não sou capaz de fazer alguma escolha e seguir feliz, se não estou completa.
Se já me fez bem e poderá me fazer mal, eu não vou correr. Não posso e não consigo. Eu fico e me perco junto nesse mal. Afinal, que mal faz, quando só se quer bem?'
E.C.M."
“A leitura faz o homem completo; a conversa torna-o ágil; o escrever torna-o preciso.” Francis Bacon
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
O vão do perto
"Não é a distância que separa dois corações. O que os separa é a saudade. A distância é um convivio permanente: ela sempre estará lá, mesmo quando, você não estiver.
Não é preciso de milhas para se sentir sozinho; o silêncio, o escuro e o medo, são os ingredientes não-secretos da distância.
'Um ao lado do outro, assim que deveria ser', pensamos. E qual abismo separa os lados, quando a verdade é dita, quando o amor é quente? A distância esta mais perto do que se pode imaginar, os abismos somos nós que causamos pouco a pouco.
O simples é o socorro certo para quem quer retornar e recomeçar. Se pouco a pouco destruimos o que estava bem perto, pelo pouco teremos de volta, por mais que a nossa paciência seja testada e nosso coração fique sangrando. Não é preciso muito: o minimo de si e todos estarão em um só. Sem distâncias e medos. Somente unidos."
Não é preciso de milhas para se sentir sozinho; o silêncio, o escuro e o medo, são os ingredientes não-secretos da distância.
'Um ao lado do outro, assim que deveria ser', pensamos. E qual abismo separa os lados, quando a verdade é dita, quando o amor é quente? A distância esta mais perto do que se pode imaginar, os abismos somos nós que causamos pouco a pouco.
O simples é o socorro certo para quem quer retornar e recomeçar. Se pouco a pouco destruimos o que estava bem perto, pelo pouco teremos de volta, por mais que a nossa paciência seja testada e nosso coração fique sangrando. Não é preciso muito: o minimo de si e todos estarão em um só. Sem distâncias e medos. Somente unidos."
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Adversidade construtiva é adversidade amiga.
"Ninguém é uma coisa só: feliz ou triste, amigo ou inimigo. O feliz só é feliz por que já provou da tristeza; o triste só é triste por que ainda não conhece a felicidade... Amigo, só é amigo quando conhece de perto o que um inimigo é capaz e, justamente por isso, não quer isso para quem se ama.
Por essência você pode ser rancoroso, caridoso e humilde. Pelo externo você faz com que qualidades e defeitos se alterem.
O dia amanheceu lindo, da janela da para ver pássaros cantando e um sol acolhedor. A noite vem e a tempestade leva sua casa, e o horizonte. De dia alegre à noite triste.
Raro encontrar quem não altera o interno pelo externo; isso não é defeito e não pode ser chamado de qualidade. É a transição necessária não apenas para descobrir se és ou não algo, mas para descobrir em essência do que se é capaz de ser. São as diversas cores tentando entrar em harmonia: é como o arco-íris após a chuva. E é essa chuva temporária que somos a cada dia, nos compõe únicos. Únicos de vários ângulos, de uma só face que está em constante mudança: formar na carne o que se é na alma.
A vida ensina, e trasnformar isso para dentro é independente, tanto para o mal como para o bem. É claro que, o caminho do bem é longo, mas é o único que floresce.
Repito, ninguém é uma coisa só. Se aquele for tão perfeito, para poder se-lo, existe uma composição de atitudes em geral: adjetivos.
Por isso, permirtir-se ser inconstante, tendo o bem como guia, nos faz chegar à quem realmente somos. Realmente é preciso acreditar-se que o inimigo não é somente inimigo. Ele possue amigos e há quem se amar. Este caminho te levará a perceber que este ser tão distante de você está tão próximo do que se imagina; ai está o motivo pelo qual a fé não nos abandona nunca, tanto nas escolhas como na essência da construção.
Por essência você pode ser rancoroso, caridoso e humilde. Pelo externo você faz com que qualidades e defeitos se alterem.
O dia amanheceu lindo, da janela da para ver pássaros cantando e um sol acolhedor. A noite vem e a tempestade leva sua casa, e o horizonte. De dia alegre à noite triste.
Raro encontrar quem não altera o interno pelo externo; isso não é defeito e não pode ser chamado de qualidade. É a transição necessária não apenas para descobrir se és ou não algo, mas para descobrir em essência do que se é capaz de ser. São as diversas cores tentando entrar em harmonia: é como o arco-íris após a chuva. E é essa chuva temporária que somos a cada dia, nos compõe únicos. Únicos de vários ângulos, de uma só face que está em constante mudança: formar na carne o que se é na alma.
A vida ensina, e trasnformar isso para dentro é independente, tanto para o mal como para o bem. É claro que, o caminho do bem é longo, mas é o único que floresce.
Repito, ninguém é uma coisa só. Se aquele for tão perfeito, para poder se-lo, existe uma composição de atitudes em geral: adjetivos.
Por isso, permirtir-se ser inconstante, tendo o bem como guia, nos faz chegar à quem realmente somos. Realmente é preciso acreditar-se que o inimigo não é somente inimigo. Ele possue amigos e há quem se amar. Este caminho te levará a perceber que este ser tão distante de você está tão próximo do que se imagina; ai está o motivo pelo qual a fé não nos abandona nunca, tanto nas escolhas como na essência da construção. Isso não é uma receita, mas é algo natural: fazemos sem perceber. Pode demorar o tempo que for, mas um dia, a janela que a chuva levou, deixando a distância tomar conta do nosso horizonte nos dando amarguras, volta a nos fazer ver o sol nascendo devolvendo alegria e o arco-íris juntando suas cores em uma única direção.
Essa transição de mudanças não se estabiliza, isso altera-se com o tempo, e é como lidamos com as situações que chegamos um pouco perto do 'quem eu sou'. "
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Você é a música em mim.
"Foi nos acordes do violão que eu descobri que ainda penso em você. Foi no ápice da música, no momento em que o coração bate no ritmo da melodia, que eu descobri que eu estou te esperando.
Eu não sei onde você está, o que está fazendo e nem quem é. Mas eu te sinto tão perto, penso até que está próximo. Aquela intuição boba diz que não. Diz que você está longe, " ainda falta um pouco".
Não sei no que acredito, por que não sei se é verdade. Se você for assim, tão real quanto parece, pode demorar o tempo que for. Eu te espero.
Eu vou saber quem é você pela cor dos seus olhos, pelo seu sorriso e pelo seu cheiro, afinal, meu coração saberá igualar o que eu sinto quando ouço música e fecho os meus olhos, como quando eu abri-los para te ver. É o mesmo sabor.
Eu sei que saberei... "
Eu não sei onde você está, o que está fazendo e nem quem é. Mas eu te sinto tão perto, penso até que está próximo. Aquela intuição boba diz que não. Diz que você está longe, " ainda falta um pouco".
Não sei no que acredito, por que não sei se é verdade. Se você for assim, tão real quanto parece, pode demorar o tempo que for. Eu te espero.
Eu vou saber quem é você pela cor dos seus olhos, pelo seu sorriso e pelo seu cheiro, afinal, meu coração saberá igualar o que eu sinto quando ouço música e fecho os meus olhos, como quando eu abri-los para te ver. É o mesmo sabor.
Eu sei que saberei... "
E. C. M
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Sangue 2 (continuação)
Sua pele agora fresca, fazia o vermelho que espalhou-se pelo corpo, muito mais nítido. Era fácil ver que, sua cor pálida era irreversível, não havia mais brilho.
Não soube decifrar o que ocorrera momentos antes da cena teatral, mas agora com os cabelos úmidos espalhados pelo seu peito quente, a realidade lhe batia, atordoava-lhe a alma; agulha no fogo: o ferro na pele.
Mordia os lábios e sentia o gosto interno, o sangue que ficou, do que não vivia mais.
Espalhou, diluindo o sangue, as gotas de lágrimas que acompanhadas de uma face sem-expressão, multiplicaram-se quando o silêncio foi a única música que se ouvia. Os batimentos estavam estáveis, por isso não os ouvia; não há como bombear sangue, quando o seu amor está nos seus braços, implorando-lhe calada que o seu beijo seja o veneno de salvação, que lhe traga de volta a vida - que foi tirada por você. Não há melodia mais propícia do que o silêncio, quando a realidade é areia virando vidro. Transparante e sólido.
Deixou cair sobre os olhos, agora fechados para o mundo, a sua lágrima. Sua dor, era a dor dela. Mas ela não sentia, não podia mais enxurgar suas lágrimas e dizer que tudo ia ficar bem; o crime foi cometido, ela se foi.
Encostou a cabeça no seu peito, pensando estar ouvindo o seu coração voltar a bater. É mais fácil não ter culpa quando roubamos virtudes de alguém e achar que há solução, do que pensar que tudo está perdido, assim, a dor se torna menor, menos densa, mais líquida.
Uma nuvem negra se espalhou sobre o ambiente e, o que se ouvia eram lembranças doces. Um sorriso parecia medonho agora, mas quem é que contém as lembranças quando elas vem no momento de dor? Sentiu que, seu riso era fugaz, era sombrio. Não tinha vida. Aliás, tinha, o que não tinha era motivo para viver.
Vendo o seu rosto ainda pálido, imóvel, seco e frio, teve a ância de aproximar-se e beijar o ultimo doce beijo. Limpou com a mão o percurso que o sangue havia feito na pele - do que agora parecia um anjo - deitou as mãos sobre os ombros, ensopando a camisa. Aproximou dos labios, e quanto mais chegava perto, mais vontade tinha de se juntar para a eternidade aquele corpo, pelo amor que sentia e escorria do seu rosto, pela vontade imensa de corrigir o erro, e voltar ao tempo em que o sorriso tinha motivo.
Não teve coragem de revelar o desejo que sentia beijando-lhe. Apenas disse, calmo, sussurrando:
- A morte, que sugou o mel do seu hálito, não teve poder contra sua beleza.*
Um barulho fez o eco da sala pertencer ao vazio. Agora, com o corpo junto ao seu, suas mãos entrelaçadas não podiam mais sentir.
O que ficou não foram os sentimentos, ele partiu, se afugentou na alma que agora vagava - quem sabe juntos?- o que ficou mesmo, foi o sangue que se espalhava. Foi o sangue derramado de um crime, de amor e ódio, que agora misturavam-se. Fundidos, jamais poderiam se separar, era sangue no sangue, corpo no corpo e vida na morte.
Isso já não importava mais, eles estavam, juntos.
E. C. M.
*Fala de Romeu, em "Romeu e Julieta", pouco antes do seu suícidio.
Não soube decifrar o que ocorrera momentos antes da cena teatral, mas agora com os cabelos úmidos espalhados pelo seu peito quente, a realidade lhe batia, atordoava-lhe a alma; agulha no fogo: o ferro na pele.
Mordia os lábios e sentia o gosto interno, o sangue que ficou, do que não vivia mais.
Espalhou, diluindo o sangue, as gotas de lágrimas que acompanhadas de uma face sem-expressão, multiplicaram-se quando o silêncio foi a única música que se ouvia. Os batimentos estavam estáveis, por isso não os ouvia; não há como bombear sangue, quando o seu amor está nos seus braços, implorando-lhe calada que o seu beijo seja o veneno de salvação, que lhe traga de volta a vida - que foi tirada por você. Não há melodia mais propícia do que o silêncio, quando a realidade é areia virando vidro. Transparante e sólido.
Deixou cair sobre os olhos, agora fechados para o mundo, a sua lágrima. Sua dor, era a dor dela. Mas ela não sentia, não podia mais enxurgar suas lágrimas e dizer que tudo ia ficar bem; o crime foi cometido, ela se foi.
Encostou a cabeça no seu peito, pensando estar ouvindo o seu coração voltar a bater. É mais fácil não ter culpa quando roubamos virtudes de alguém e achar que há solução, do que pensar que tudo está perdido, assim, a dor se torna menor, menos densa, mais líquida.
Uma nuvem negra se espalhou sobre o ambiente e, o que se ouvia eram lembranças doces. Um sorriso parecia medonho agora, mas quem é que contém as lembranças quando elas vem no momento de dor? Sentiu que, seu riso era fugaz, era sombrio. Não tinha vida. Aliás, tinha, o que não tinha era motivo para viver.
Vendo o seu rosto ainda pálido, imóvel, seco e frio, teve a ância de aproximar-se e beijar o ultimo doce beijo. Limpou com a mão o percurso que o sangue havia feito na pele - do que agora parecia um anjo - deitou as mãos sobre os ombros, ensopando a camisa. Aproximou dos labios, e quanto mais chegava perto, mais vontade tinha de se juntar para a eternidade aquele corpo, pelo amor que sentia e escorria do seu rosto, pela vontade imensa de corrigir o erro, e voltar ao tempo em que o sorriso tinha motivo.
Não teve coragem de revelar o desejo que sentia beijando-lhe. Apenas disse, calmo, sussurrando:
- A morte, que sugou o mel do seu hálito, não teve poder contra sua beleza.*
Um barulho fez o eco da sala pertencer ao vazio. Agora, com o corpo junto ao seu, suas mãos entrelaçadas não podiam mais sentir.
O que ficou não foram os sentimentos, ele partiu, se afugentou na alma que agora vagava - quem sabe juntos?- o que ficou mesmo, foi o sangue que se espalhava. Foi o sangue derramado de um crime, de amor e ódio, que agora misturavam-se. Fundidos, jamais poderiam se separar, era sangue no sangue, corpo no corpo e vida na morte.
Isso já não importava mais, eles estavam, juntos.
E. C. M.
*Fala de Romeu, em "Romeu e Julieta", pouco antes do seu suícidio.
domingo, 15 de novembro de 2009
Sangue
É quente.
Escorre pelo pescoço; calmo e úmido. Percorre a pele em um caminho sem rumo. Não tem direção, não sabe para onde está indo, mas sabe de onde vem. Talvez, não saiba o porquê. Ele sabe que é vermelho.
O gosto de ferro fundido com açucar, continua escorrendo pelo pescoço, esquivando-se dos ombros... Parando lentamente pelo peito, escolhendo por onde deve seguir o curso, em quanto atrás o rastro vermelho de fogo vai deixando as migalhas; chega até o centro e fica lisongeado por estar perto do coração. O que os separa é a pele, que agora arrepiada, sentindo o poder da flama, tenta expulsar com a intenção de deixar que o calor interno se espalhe com o fogo lá fora que desce, desce e desce.
É o corpo contra o corpo. A mente sem entender o por que, o coração batendo, querendo as gotas do rastro externo, quer a todo custo juntar-se aquele fogo. Ser um só. Poder fazer parte da marca que nasceu no pescoço e escorre, como a veia.
O caminho é escolhido. Ele vai; é breve o curso que faz, pois, toda a vida que existe é sugada. Em forma de sepultura, para por ali. Não vai encontrar o coração nunca mais, embora saiba que é ele que ainda o mantém vivo. Agora aquela ponta de gota que se vê no centro do corpo, perde a visão calmamente, no mesmo ritmo exausto do coração, deixa partir sem forças para continuar, o beijo doce.
Como uma pontada, ferro e gelo na ferida, o beijo no pescoço é o que a inocente criatura recebe, como punhalada final. Não é cruel, é o beijo! É o beijo doce.
O curso? O curso para de seguir. Não há mais vida. Ouve um crime perfeito: crime perfeito não deixa suspeito. Sobrou só sangue, sangue árduo, espalhado em um rastro que faz um desenho artistico no corpo e na alma. É o sangue que precisa e quer o coração, é o sangue que em gotas, é mais válido do que servido em um copo, numa bandeja.
O beijo amorteceu a dor, mas não tirou a morte. Ficou nos lábios o vermelho flamejante, que se apossando do assassino não quis perder o hálito fresco. O sangue repousa nos lábios. Enquanto isso ele termina de beijar, beijar e beijar a vítima: molhando o seu corpo com o sangue que o coração já não sente mais.
Escorre pelo pescoço; calmo e úmido. Percorre a pele em um caminho sem rumo. Não tem direção, não sabe para onde está indo, mas sabe de onde vem. Talvez, não saiba o porquê. Ele sabe que é vermelho.
O gosto de ferro fundido com açucar, continua escorrendo pelo pescoço, esquivando-se dos ombros... Parando lentamente pelo peito, escolhendo por onde deve seguir o curso, em quanto atrás o rastro vermelho de fogo vai deixando as migalhas; chega até o centro e fica lisongeado por estar perto do coração. O que os separa é a pele, que agora arrepiada, sentindo o poder da flama, tenta expulsar com a intenção de deixar que o calor interno se espalhe com o fogo lá fora que desce, desce e desce.
É o corpo contra o corpo. A mente sem entender o por que, o coração batendo, querendo as gotas do rastro externo, quer a todo custo juntar-se aquele fogo. Ser um só. Poder fazer parte da marca que nasceu no pescoço e escorre, como a veia.
O caminho é escolhido. Ele vai; é breve o curso que faz, pois, toda a vida que existe é sugada. Em forma de sepultura, para por ali. Não vai encontrar o coração nunca mais, embora saiba que é ele que ainda o mantém vivo. Agora aquela ponta de gota que se vê no centro do corpo, perde a visão calmamente, no mesmo ritmo exausto do coração, deixa partir sem forças para continuar, o beijo doce.
Como uma pontada, ferro e gelo na ferida, o beijo no pescoço é o que a inocente criatura recebe, como punhalada final. Não é cruel, é o beijo! É o beijo doce.
O curso? O curso para de seguir. Não há mais vida. Ouve um crime perfeito: crime perfeito não deixa suspeito. Sobrou só sangue, sangue árduo, espalhado em um rastro que faz um desenho artistico no corpo e na alma. É o sangue que precisa e quer o coração, é o sangue que em gotas, é mais válido do que servido em um copo, numa bandeja.
O beijo amorteceu a dor, mas não tirou a morte. Ficou nos lábios o vermelho flamejante, que se apossando do assassino não quis perder o hálito fresco. O sangue repousa nos lábios. Enquanto isso ele termina de beijar, beijar e beijar a vítima: molhando o seu corpo com o sangue que o coração já não sente mais.
sábado, 7 de novembro de 2009
Cessar o pouco
Pouca gente sabe:
O mesmo frio que derrete
é o mesmo calor que dilui.
Pouca gente diz:
Vem mais perto, vem
Me mostra, vai.
Pouca gente quer:
Mar seco, sol frio, chuva de pedra
Talvez, ninguém queira...
Pouca gente sente:
Sangue cálido no cume da pulsação
A lágrima da decepção.
O que todo o mundo é:
Um pôr-do-sol de transmissão
De um pouco de tudo,
De um lado negro, sombra e luz.
Mas sempre
Esperando pelo o que vem,
Detrás do que não se vê e sente.
E. C. M.
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