sexta-feira, 19 de março de 2010

Mor fi na

Desliza por detrás da pele;
Estanca o grito da epiderme.
Doce ilusão. Doce morfina.
Efeitos contrários são amargos!
Diz só quem sente.
É a rejeição: a dor;
Bruta e Estúpida.
É teimar com o efeito quente e prazeroso
Deixar que escape do coração
Uma fagulha de ar; pedir socorro.
Viver outraz vez; reviver o corpo, valorizar a alma.
E quando vem, fica.
Sacia a sede de fragilidade.
Mas ela vem.
Chega, cega e esperançosa,
Deslizando calma e forte por entre veias
A doce ilusão da morfina.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Seda.

"É tão difícil manter intacto o amor. Ele vai e volta a todo instante.
É.. é isso.. O amor é inconstante.
Quando muito, transborda em uma intensidade poderosa e não sabe qual caminho tomar. A indecisão é que transforma esse excesso em dificuldade. Quando pouco evapora na primeira dobra de esquina.
Superação é o que não existe no peito daqueles que não conseguem enxergar uma nova paixão ao velho amor; ficaram presos ao passado, ao não realizado e não conseguido.
Não há como seguir em frente quando o amor que se sente apenas machuca o outro. É preciso renovar. Ninguém é tão herói do seu coração que nunca desejou morrer do que ter que superar o desafio. É preciso querer.
Isso é uma teia tão perigosa; o jeito, a minha fórmula, é tentar concentrar as minhas forças lutando contra o medo, tentando escapar o mais rápido que eu puder. Não pular fases. Tempo à elas.
Eu vou ficar aqui, juntando os cacos que sobraram do que eu fui, esperando que eu não me torne uma presa fácil nessa armadilha tecida pelo instinto da aranha. Quando ela se aproximar eu saberei onde ir.
O medo pode até ser cego, mas eu ainda sinto. Não preciso dos olhos para sentir. Esse é o meu instinto.
Sem medo eu posso ir a adiante, de cabeça erguida.
Não, eu não vou gritar 'venci', eu vou calar o meu peito e dizer a mim mesma: pois, então, que venha a próxima.Mas se assim não for, se nada sair como o planejado, eu saberei que eu tentei. E tentei por amar demais."

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

"Por um instante os fatos pareciam penas voando entre pássaros: confusos, fora de ordem, multilados.
Ainda mais, me via em frente ao espelho negro, causado pela desilusão. É impossível, para mim, descrever nas miseráveis palavras com ou sem concordância o que acontece com o coração quando o tudo se transforma em nada.
Talvez, perguntas sem respostas, escolhas sem saídas, sejam a melhor forma de representar um "adeus".
Ele parou de dizer os motivos pela qual  partiria,  -  não que eu estivesse ouvindo, meus sentidos estavam sendo esmagados, assim como seus pertences dentro de suas malas - percebeu o meu deslize e me olhou como se sentisse saudade dos meus olhos... Eu o vi de novo como MEU. Definitivamente, só a sua sombra, a mesma que me tirava o ar, poderia devolver-me a conciência.
- Desculpe-me...
Quem pede desculpas por partir? Eu estava no mundo errado. Esse não era o meu mundo, o nosso mundo. 'Desculpas' eram o que procuravamos antes, para que esse amor miserável pudesse continuar a crescer. Desculpas não eram assim! Eu me lembro bem de que quando o erro estava feito, o perdão ardia e lá se ia o erro, pois isso é amor. Perdão é rodar pela sala, cochichar promessas mutáveis no ouvido, abraços fartos e beijos com infinitos olhares.
Agora, isso tudo estava se desfazendo bem na minha frente. Em vez do abraço, os lábios se auto-apertavam e os olhos vermelhos de lágrimas não derramadas.
Descobri que a força vem quando não a temos. Não sei como cheguei até a porta, mas eu bem sei que a claridade de um dia indo embora invandiu minha pupila, e única coisa que eu senti naquele momentos foi o calor do sol se espalhando pelo frio da noite.
Ouvi seus passos se aproximando... Passou por mim e como nada mais injusto, um vento estúpido soprou em seu pescoço e seu ar invadiu meus pulmões. Meu corpo teve uma reação já esperada, como quando a realidade nos derruba: lágrimas. Meus olhos ardiam.
Pedi rapidamente para o que quer que estivesse me ouvindo, que ele não olhasse para trás e visse o quanto de amor estava deixando para trás. Nesse dia, tudo estava fora do meu poder... Ele olhou. Seu ultimo e inesquecivel olhar.
Hoje, abri a janela e uma pena entrou por ela. Segurei delicadamente em minha mão amando-a por segundos. Ao longe vi pássaros voando livres, brincando, sendo felizes. Invejei os cantos mudos, desejando estar ali com eles... Afinal, uma pena poderia não me fazer tanta falta e eu realmente poderia ser feliz nessa liberdade, assim como os pássaros."

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"... eu não demorei muito, apenas peguei um papel e uma caneta. Rabisquei algumas palavras que me provocaram o dia todo; elas fizeram sentido, quando as coloquei em ordem:
'essa luta constante por não deixar que quem eu amo vá embora, mesmo com o mal que me façam, me fez perceber que não importa para onde se vai e sim com quem se está indo. Muito menos importante é o mal que ela lhe fará! O amor ainda não é menor que a treva. Enquanto ele existir, eu estarei correndo para encontrar quem eu amo.
Eu acredito que a transformação do mal para bem está na. Não é fácil e não precisa ser. Se fosse fácil não seria prazeroso a recompensa.
Eu ainda não aprendi a me esconder. Eu amo o bem mesmo que isso inclua o mal, assim, amo quem eu amo pelo mal e pelo bem; não sou capaz de fazer alguma escolha e seguir feliz, se não estou completa.
Se já me fez bem e poderá me fazer mal, eu não vou correr. Não posso e não consigo. Eu fico e me perco junto nesse mal. Afinal, que mal faz, quando só se quer bem?'

E.C.M."

O vão do perto

"Não é a distância que separa dois corações. O que os separa é a saudade. A distância é um convivio permanente: ela sempre estará lá, mesmo quando, você não estiver.
Não é preciso de milhas para se sentir sozinho; o silêncio, o escuro e o medo, são os ingredientes não-secretos da distância.
'Um ao lado do outro, assim que deveria ser', pensamos. E qual abismo separa os lados, quando a verdade é dita, quando o amor é quente? A distância esta mais perto do que se pode imaginar, os abismos somos nós que causamos pouco a pouco. 
O simples é o socorro certo para quem quer retornar e recomeçar. Se pouco a pouco destruimos o que estava bem perto, pelo pouco teremos de volta, por mais que a nossa paciência seja testada e nosso coração fique sangrando. Não é preciso muito: o minimo de si e todos estarão em um só. Sem distâncias e medos. Somente unidos."

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Adversidade construtiva é adversidade amiga.

"Ninguém é uma coisa só: feliz ou triste, amigo ou inimigo. O feliz só é feliz por que já provou da tristeza; o triste só é triste por que ainda não conhece a felicidade... Amigo, só é amigo quando conhece de perto o que um inimigo é capaz e, justamente por isso, não quer isso para quem se ama.
 Por essência você pode ser rancoroso, caridoso e humilde. Pelo externo você faz com que qualidades e defeitos se alterem.
O dia amanheceu lindo, da janela da para ver pássaros cantando e um sol acolhedor. A noite vem e a tempestade leva sua casa, e o horizonte. De dia alegre à noite triste.
Raro encontrar quem não altera o interno pelo externo; isso não é defeito e não pode ser chamado de qualidade. É a transição necessária não apenas para descobrir se és ou não algo, mas para descobrir em essência do que se é capaz de ser. São as diversas cores tentando entrar em harmonia: é como o arco-íris após a chuva.  E é essa chuva temporária que somos a cada dia, nos compõe únicos. Únicos de vários ângulos, de uma só face que está em constante mudança: formar na carne o que se é na alma.
A vida ensina, e trasnformar isso para dentro é independente, tanto para o mal como para o bem. É claro que, o caminho do bem é longo, mas é o único que floresce.
Repito, ninguém é uma coisa só. Se aquele for tão perfeito, para poder se-lo, existe uma composição de atitudes em geral: adjetivos.
Por isso, permirtir-se ser inconstante, tendo o bem como guia,  nos faz chegar à quem realmente somos. Realmente é preciso acreditar-se que o inimigo não é somente inimigo. Ele possue amigos e há quem se amar. Este caminho te levará a perceber que este ser tão distante de você está tão próximo do que se imagina; ai está o motivo pelo qual a fé não nos abandona nunca, tanto nas escolhas como na essência da construção.
Isso não é uma receita, mas é algo natural: fazemos sem perceber. Pode demorar o tempo que for, mas um dia, a janela que a chuva levou, deixando a distância tomar conta do nosso horizonte nos dando amarguras, volta a nos fazer ver o sol nascendo devolvendo alegria e o arco-íris juntando suas cores em uma única direção. 
Essa transição de mudanças não se estabiliza, isso altera-se com o tempo, e é como lidamos com as situações que chegamos um pouco perto do 'quem eu sou'. "

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Você é a música em mim.

"Foi nos acordes do violão que eu descobri que ainda penso em você. Foi no ápice da música, no momento em que o coração bate no ritmo da melodia, que eu descobri que eu estou te esperando.
Eu não sei onde você está, o que está fazendo e nem quem é. Mas eu te sinto tão perto, penso até que está próximo. Aquela intuição boba diz que não. Diz que você está longe, " ainda falta um pouco".
Não sei no que acredito, por que não sei se é verdade. Se você for assim, tão real quanto parece, pode demorar o tempo que for. Eu te espero.
Eu vou saber quem é você pela cor dos seus olhos, pelo seu sorriso e pelo seu cheiro, afinal, meu coração saberá igualar o que eu sinto quando ouço música e fecho os meus olhos, como quando eu abri-los para te ver. É o mesmo sabor.
Eu sei que saberei... "


E. C. M