segunda-feira, 16 de maio de 2011

deep

"Há um esconderijo suspenso dentro de cada um de nós: a forma de esconder o que se sente por defesa, insegurança e solidão. É uma fagulha se esquivando da palha.
Não é preciso muito para que o fogo arraste tudo sem pedir licença quando a ultima gota cai sobre nossas cabeças. O esconderijo se remexe, dança, cala, sofre. Pensa e repensa. Faz e desfaz o nó. É o silêncio. A palavra dolorosa. O medo oculto. O segredo. O princípio de um precipício.
A garganta parece sentir esses impulsos. É a partir daí que uma decisão é tomada: ou você grita ou você cala.
Já gritei. Já expulsei sem piedade os meus impulsos. "Doa a quem doer". E hoje quem sente as dores de cada infurtunio sou eu. Agora eu calo. Se é preciso que algo seja feito ou dito, deixo o tempo e a consciência se manifestar naturalmente, como a folha cai no outono, como a migração das andorinhas.
Me refugio em diversos lugares. Começo dentro de mim e busco o que me dá forças: Deus, família e amigos. Onde a dor se tornar amena é onde eu descanso.
Cada vez que ouço essas vozes me acudirem, eu ouço sem estremecer, e logo em seguida deixo que o juiz apite o jogo quando achar necessário. Confio mais em mim e na justiça divina.
Assim, a utilidade de manter meu esconderijo vivo me faz cada vez mais saber viver aos poucos e sempre intensa."

segunda-feira, 11 de abril de 2011

"Contam-se gotas, contam-se distâncias
mas perdem-se os números
falando em amor, falando em saudade.
Subtrai-se tristezas: soma-se risos.
Divide-se tudo; divide-se o mundo.
E qual seria as surpresas
se existem fórmulas?
Dentro, no fundo, existe um signo
que diz não contar segredos
porque a vida é isso: descobertas.
Pois digo, amar é, antes de qualquer calculo:
descobrir no outro o que há mais de bonito em si.
Dois, três, quatro...
Que seja um, mas que seja intenso...
um grito, um salto, um olhar, um pulsar
duas vidas...
um único coração"

terça-feira, 29 de março de 2011

"Sinto falta do que não vivi.
Se pudesse andar sobre a lua e assim sendo admirar a Terra tão distante e azul, sentiria saudades. Saudades de casa. Saudades da gravidade. Saudades.
Daqui posso ver a lua e sentir um aperto. Já estive várias vezes tocando o seu tapete de poeira. Sim, já estive lá. E sinto falta... Falta dessa imaginação tão viva e real.
Sinto falta do que não vivi.
Ainda que eu ande satisfeita por estas estradas, ainda falta um pedaço. Sempre falta um pedaço quando seu coração está em um lugar e sua cabeça em outro. Meu coração sente falta dessas viagens rápidas, prazerosas e intensas até o outro lado do firmamento, e minha cabeça me diz para ficar cada vez mais aqui.
Sou a prova de que os olhos não mentem a voz do coração. Olhar para a lua é colidir minhas veias e artérias umas com as outras. É só saudade do que faz parte da minha casa.
Sinto falta de voltar a lua.
Sinto falta de sentir falta de casa, por estar tão distante.
Sinto falta do que não vivi."

terça-feira, 15 de março de 2011

Mas... Quem faz o palhaço rir?

Depois que a luz se vai, o palhaço é sombra. Quando o palco é só lembrança, vazio fica o palhaço.
- Doutor, a tristeza me consome! -  dizia a pobre.
- Vá ao Circo! Ria com o palhaço. - dizia o mais pobre ainda.
E assim curou-se o coração despedaçado.
Mas, me diz, D outor! Quem cola os cacos do palhaço? Quem cuida do riso de quem só sabe fazer rir?  Me diz, se ele sabe rir de si mesmo e contente está por isso! Me diz, Doutor... me diz...
Posso até ver sua maquiagem escorrendo com a lágrima. Todos riem da sua tristeza, porque tudo é graça. Tudo é festa da desgraça. Posso ouvir as gargalhadas enxendo o circo, esvaziando o palhaço.
Os palhaços também choram. Quem se importa com os palhaços?

quinta-feira, 10 de março de 2011

Sem medo, sem mais, apenas em frente.

"A dúvida é a parte que divide: se for por ali talvez eu siga sempre assim. Mas e se eu não for?
Toda a certeza precisa de provas, de experimentos, de experiência e principalmente confiança.
Não é um mal errar, seguir o lado oposto, desviar do contínuo. O mal é não arriscar, ter medo do que pode vir, impedir-se do auto-conhecimento.
Pode até ser dividido entre facil e difícil. Não importa. Os dois te levarão à algum lugar... Se for errado, a vida dará um jeito de uma nova oportunidade, seja quando ou onde for.
Escolher pode parecer trágico, porque uma metade deseja e a outra repele.
Mas acredite: trágico é não arriscar; deixar passar todas as oportunidades esperando que venha uma em que te pareça perfeita. Acredite, mais uma vez, ainda nada está perfeito, visto que essa é a busca. Então, por que não errar escolhendo? É só saber cultivar flores e espinhos."

Água Salobra

 "Dexei que viesse a mim, tudo o que fosse de ti.
Como ar, respirei suas ambições...
Inalei toda a sua alma que fluia facilmente até as minhas entranhas.
Dexei que a chuva caísse até onde pudesse semear;
deixei que ela simplesmente caísse, naturalmente...
É tão inofensivo que domina sem pretensão:
 escorrendo o gelo que arrepia da água que fica.
Vem calmo e depois me tira do sossego.
Joga-me contra minhas verdades e me põe onde nunca estive.
Mas não me perco facilmente,
porque, lá vem você de mansinho, 
a ser mais uma vez minha luz em meio à escuridão."

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Cruz que risca as nuvens.

“Sentou-se ao seu lado e olhou fixamente para a imagem a frente.

- Não consigo entender.
-Qual parte? – respondeu a garota, ajoelhada, ainda de mãos juntas entre a cabeça e com os olhos fechados.
- Tudo. Essa sua fé. Essa sua mania de rezar e esperar pelo impossível. – Chegou mais perto e disse: Qual milagre você espera?
Ela o olhou com os olhos cheios d’água e voltou para sua oração. Silêncio...
Ele a deixou e entrou no seu carro, olhando mais uma vez para trás, vendo a cruz erguida em cima da igreja riscar as nuvens .
Um barulho estranho no motor e cheiro de fumaça o fez parar no acostamento. 'Droga!', pensou. 'O carro quebrou.'
Tentou ligar para alguém. Celular sem bateria... Começou a chover; via-se raios por todos os lados. Ao longe viu um caminhão e acenou. Desceu um homem com barbas longas e correntes em volta do pescoço,  apontou-lhe uma arma: 'Dinheiro! Passa o dinheiro!' .
Tudo estava dando errado. Não havia mais o que ser feito.
- O que Você quer? – começou a gritar para os céus desesperadamente – Quer que eu morra aqui? Belo Justiça a Sua!
Estava começando a escurecer e a chuva começou a dar uma tregua. 'Se eu voltasse, talvez ela ainda esteja lá e me ajude.'
Começou a andar e a resmungar. Sem carro, sem nenhum dinheiro, roupa molhada, com frio e fome e tendo que andar pelo mato com bichos desconhecidos. Falou tanto com si mesmo que cansou.
Ao longe viu novamente a cruz riscar o céu, mas correu quando se deu conta do que havia acontecido. Metade da igreja estava sob escombros, a rua estava interditada, as árvores caídas e as poucas  pessoas da pequena cidade gritando o tempo todo.
Alguém o tocou e disse: O senhor não pode entrar ai. Como um surdo desesperado, entrou sem hexitar.
Procurou por ela como louco e a chamava aos berros. Foi tirando a madeira, o concreto, tudo que via pela frente com uma força inexistente. Chegou onde ela estava anteriormente.
Dormia como um anjo... Sua roupa cheia de sangue e o corte na sua cabeça, fez o pequeno homem chorar e tomá-la nos seus braços, pela última vez.
Por um tempo ali, naquele silêncio, em que só se ouvia dentro de si 'Por quê? Por quê?', ele olhou para a única parte intacta: o altar.
A imagem do Homem o emocionou. Como louco procurando pelo juízo, pela paz no coração, começou a rezar:
- Deus, não entendo nada de fé. Nunca acreditei em Ti. Nunca precisei rezar. Mas se isso a trazer de volta, se isso a fizer olhar para mim mais uma vez, então eu acreditarei e O seguirei. – Olhou mais uma vez para ela e sorriu em meio as lágrimas – Eu O entendo. Ela realmente faz parte dos seus anjos, mas não a toma de mim, assim, tão cedo, eu não tive tempo de dizer o que eu sinto. Não a leve de mim, meu Pai. Não a leve...
O silêncio fala alto. O silêncio é a parte mais dolorosa da saudade, que o amor sente. Por um momento ali, chorando e rezando baixinho, sentiu como se ela estivesse de volta. Então, a abraçou e encostou sua cabeça em seu quadril, como fazia há anos.
Ouviu um gemido. Um ruído. Levantou assustado e a olhou. Seus lábios se mexeram...
- Era esse... esse o milagre que eu esperava."

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Paciência, esperança e amor é a letra.

"Nós somos como ouvir a mesma música em tempos diferentes: enquanto eu estou no refrão você está começando a ouvi-la. É o mesmo sentimento, é o mesmo compaço, é o mesmo toque e quase uma perfeita harmonia. Para mim, falta pouco para elas se ajustarem em algum tempo no espaço. Para você... É preciso que chege ao refrão pra poder entender o porquê eu te espero para ouvir o fim." 

domingo, 2 de janeiro de 2011

Olhe. Chegue. Ria. Toque. Ria mais uma vez. Saia. Olhe para trás. Sorria...
Espere. Acalme-se. Atenda. Enlouqueça. Desligue. Sonhe... sue.  Acorde. Sorria. Espere... Espere... Espere.
Chore, morda, grite. Chame. Chama... Chama.. Chama. Atende? Não. Chama... chama é fogo.

Tempo.

Olhe. Acalma-se. Afaste-se. Passos. Respiração.  Ele ri. Você perdoa. Mais perto.
Finge. Dissimula. Ele ri. Você entrega.
Casa. Risos tortos. Espelho. Risos bobos.
Sono. Imaginação. Lábios mordidos.
Sol. Riso. Sonho? Não. Sonho... sol é quente
Espera. Espera... Lágrima.
Chega!

Tempo...
Tempo...
Tempo...

Olhe. Nada. Passos... Respiração. Ele ri. Ela se vai...
Tentar. Amar. Outra vez. E outra. E outra. Lágrimas. Nada.
Esquecer! Fugir. Praia, sol, mar. Nós...
Esquecer! Objetivo. Futuro.

Fé. Fé. Fé.
Tempo.
Tempo.

Ele ri. Nada... Ele diz. Nada.

Ele faz! Acredita. Abraça. Sorrisos. Beijos. Juras.
Tempo... tempo é esperança que se dá ao amor.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A casa do destino

"O papel dobrado sob a mesa revelava as inquietações do coração e da mente. Eram só pensamentos soltos; a razão querendo transcender sobre a realidade imposta pelo universo; sonhos palpáveis, mas tão distantes e voláteis...
Era só aquela velha angustia de querer saber mais: ultrapassar os vales vistos da janela, correr sem saber para onde ir e, assim sendo, chegar onde encontramos a nós mesmos; chegar ao inesperado e a inecalculável satisfação que chamamos de acaso, o que, nada mais é do que nosso, e insubstituivelmente nosso, destino.


Em um daquelas surtos que nos faz sentir o coração e toda a sua força sobre nós, bateu  na mesa suas mãos, amassando o rascunho do que ainda estava por vir. Tirou o seu lenço vermelho do pescoço, sua marca pessoal, e o jogou longe.
Podia-se ouvir seus dentes chocarem um contra o outro, podia-se ver a desesperança nascendo em seus olhos, podia-se sentir o corpo quente que caia bruscamente na cadeira. E depois... depois tudo ficava calmo novamente.
Tamborilou os dedos em sua perna, respirou fundo, uma, duas, três vezes. Pegou novamente o papel e o desamassou. Com os mesmos dedos, mais calmos, desenhou uma linha, e depois outra. Foi passando a mão  até formar algo que lhe parecia familiar. "Talvez não", pensou. "Isso ainda não serve".
Abriu a janela, e o jogou, deixando o vento levar o seu então, desconhecido avião de papel.
Fechou a janela. Guardou seus outros rabiscos em uma gaveta. Trancou-os e nunca mais mexeu.
Só pôde respirar as velhas e amareladas folhas, anos mais tarde - em umas dessas mudanças que toda escrivaninha passa -  quando novas mãos e novas ideias as fizeram viver.
Talvez, em algum lugar, um dia, o velho do lenço vermelho soube que o mesmo vento que um dia levou o seu papel, levou também o homem às nuvens.
Acaso? Não. Deus não lança dados, mas inicia o jogo. E você o continua com seu destino."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Soneto de um paradoxo visível.

"Tudo encaixa-se.
Onde o equilibrio desafina,
Onde a harmonia descalça:
O tempo ajusta.

Pelo caminho do bem:
os vãos dos meus dedos,
cabem perfeitamente nos seus.

Tudo desencaixa.
Onde há harmonia sólida,
Onde há equilibrio estável:
O véu da impureza desajusta.

Pelas falsas esperanças...
O vão da minha alma
escapa das suas mãos.

sábado, 13 de novembro de 2010

Lost me.

- Por favor, me devolva.
- O que? - Disse ele sem entender aqueles olhos expressivos e aquela boca apertada contra os dentes.
- Tudo. Tudo o que você tirou de mim! - Ensaiou tantas vezes essa frase que poderia convencer um auditório.
- Não sei do que... - Seus olhos percorreram todo o espaço em busca de alguma lembrança que fizesse sentido naquele momento.
- É sua culpa! - Suspirou duas vezes e disse com a mão no peito: - Não consigo me completar com ninguém. Não consigo me amar. Onde você me colocou? Por favor, devolva-me!
Num estalo tudo fez sentido. A pequena dos cabelos negros até a altura dos ombros, parada ali na sua frente, o fez lembrar do passado. Ela tinha mudado. Alguma coisa nela estava diferente... Mas o que é mesmo que ela queria?
- Diz alguma coisa! Não me olha com...
- Não me lembro onde te dexei. - disse ele com um sorriso torto.
Ele havia entrado no seu jogo. Podia-se ouvir dois corações bater fortemente, quase no mesmo ritmo.
- Você me perdeu, então?
- Perdi... Não sei. Talvez eu tenha te colocado em algum lugar onde eu lembraria de procurar... Caso eu precisa-se. - Sua voz era firme e grave. Quase rouca... Isso provocou arrepios na morta-viva.
- O que eu faço agora? - Disse ela recuando um passo, para não cair nas garras do predador.
Ele avançou dois. Seus hálitos podiam se chocar agora. Seus olhos dançavam juntos, num compasso hipnotizante. AH! Só quem sentiu isso, pode entender o que significa as mãos suarem.
- Acho que restou alguma coisa de você dentro de mim. Mas é tão pouco...
- Não me importa! Devolva o quanto tiver. - Foi ríspida. A razão começava a falar mais alto; o coração já não tinha mais carta branca.
- Enquanto eu procuro onde o resto de você está eu vou devolver o que ainda possuo.
Como um lobo faminto que saliva antes de saborear o pobre cordeiro, aproximou-se com a boca entre-aberta e com os olhos nos seus. Sua pupila dilatou e ela já podia se sentir viva outra vez. O predador que devolve vida a sua presa.
Suas bocas se encostaram. Então, o lobo se apaixonou pelo cordeiro. Soube a partir daí que ela sempre esteve dentro dele, tudo estava adormecido. Ela... Bom, ela pôde então sentir mais uma vez suas veias dançarem dentro de si. Estava viva.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Nuvens de algodão doce.

"Antes eu sonhava o tempo todo. Sonhava com você, com a vida, com o que podia ter sido e com o que vai ser. Inventava o meu script. Subia e descia ao céu em um segundo. Fazia dos sonhos o meu refúgio.
Sorria antes de domir quando lembrava de um abraço. Na maioria das vezes, ia além, inventava uma beleza a mais do que realmente tinha acontecido; um complemento inocente para eternizar ainda mais os momentos. Sonhava com um beijo roubado, outro de chuva, outro que estava por vir. Sonhava...
Via o meu futuro idealizado pelos os meus desejos mais quentes, mais intrínsecos, mais sombrios e únicos.
Agora, quando eu sonho a realidade me cutuca. "Hei, volte! Ainda falta muito." - me diz.
Tento deixar ela falar sozinha. Mas ela é insistente, e dá saltos na minha frente para chamar a atenção. "Me deixa sonhar um pouco mais, só mais um pouquinho, por favor...", respondo. Ela até aquieta. Porém, volta! Me puxa pela mão e me vigia por um tempo; vem me fazer lembrar que eu cresci, que tenho responsabilidades.
As vezes, me pego sonhando de novo quando a realidade se descuida e me confunde. Não sei é sonho ou se é verdade.
Talvez, eu ainda seja metade menina e metade mulher. Não quero ser mulher por inteira se eu tiver de abrir mão do meu prazer de fechar os olhos e me perder. Não, isso não.
Serei inteira sonhando e realizando. E serei uma somatória infinita se sonharmos juntos, sempre buscando realizar."

E. C. M.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"Era linda. Tinha traços suaves, como se ondas calmas em dias quentes deslizassem sobre ela.
Olhos grandes, expressivos e brilhantes (rarissimos), combinando com seus cílios curvos; nariz fino e tão delicado, que se assemelhavam a copos de cristais em dia de Natal. A sua boca entrava em harmonia com sua maçã do rosto, era grande...belo mesmo era seu sorriso. Sua cor de luar lhe dava o toque final.
A casa era grande, haviam janelas por todo canto, não havia portas, não havia gente, não havia encanto ali. Cada dia, ela buscava uma janela diferente para ver o sol e o jardim de diferentes ângulos. Via passáros em árvores, flores nascendo, podia ouvir ao longe o som da água batendo nas pedras... E dava nome a tudo. Encostava o peito na janela e debruçava a sua cabeça sobre os braços, deixando que seus cabelos longos ficassem para fora da janela.
Passava ali o seu dia. Aquilo era felicidade para ela. Poder ver as mudanças da natureza com grande facilidade e saborea-las como se fossem suas.
Cresceu. Cresceu tanto que podia até mesmo sentar-se na janela. E disso ela gostava muito...
Um dia, o sol não nasceu. A chuva caiu, levando tudo o que via. Do lado de dentro podia se ouvir as trovoadas, o agito das árvores e o barulho da água se aflorando cada vez mais e mais...
Não entendia o motivo de tanta furia. Não havia nada na sua vida que lhe desse mais prazer do que ficar na janela, sonhando e vislumbrando a paisagem. Agora, de janelas fechadas se sentia vazia... Estaria ela sendo punida? Mas pelo o que? O que havia feito de tão grave que o que mais amava lhe foi tirado?
A sala estava escura e fria, quando então, resolveu abrir a janela. O jardim não era o mesmo, tudo estava fora de ordem, suas flores preferidas estavam do outro lado, havia árvores caidas.
Chorou tanto que acabou dormindo um sono pesado... Acordou e achou que tudo não passava de um sonho. Mas ainda podia sentir a dor no corpo que só a perda nos proporciona. Era tão real...
Os dias passam lentos e dolorosos quando nada nos pertence, quando nada faz sentido. Uma culpa grande vem nos atormentar "eu podia ter feito isso...", " se eu...". Assim, aquela figura de menina enluarada, com o corpo em leve movimento, se tornou fria e sem esperanças. Não havia mais o seu jardim.
Ouviu um barulho que lhe assustou muito. Alguma coisa estava do lado de fora e pedia para entrar. O engraçado, é que não sabia como, mas havia uma janela bem lá no fundo, que parecia maior e era justamente dali que ouvia o barulho. Chegou bem perto... Não teve a coragem de abrir. Não tinha forças para ver o seu jardim devastado.
Os dias passaram mais uma vez lento e sem graça; a prisão nos torna infrutíferos, alvo de nosso próprio medo.
Outra vez o barulho. Dessa vez, tão forte que se ela não abrisse, ele não pararia. A coragem só veio quando respirou fundo e pensou que nada poderia acontecer de pior do que perder o seu tesouro.
Ali estava... O jardim mais belo, os pássaros de cantos ímpar, a cachoeria podia ser vista bem de perto, a grama de estendia como um tapete de camursa... Não podia acreditar, não queria acreditar. Sentiu o sol batendo em seu rosto e queimando as lagrimas que caia...
Mais do que ver, agora ela podia tocar. Não estava mais distante... Estava ali. Correu por todos os lugares, riu e chorou de alegria por muito tempo. Pode beber a água da vida, pode beijar as flores do amor... Agora, ela podia TUDO.

Deus, quando nos fecha uma janela, nos abre uma porta. Deus, quando manda chuvas nos tirar, nos dá o sol para renascer. Nós quando achamos que perdemos o que mais valorizamos, Deus nos dá outros motivos para viver. Acredite, nada é por acaso. Tudo está em perfeita harmonia em meio ao caos... Por que Deus não erra. "

terça-feira, 20 de julho de 2010

Gota por gota é mar.

"Pedra sobre pedra.
Descalça na areia e olhos atentos,
Da paz que se busca
Agora, são só os ventos

Migalha por migalha.
Café na mesa e pôr do sol
Em dia de terra molhada

Passo por passo.
É pequeno o riso
Do vôo do pássaro
Livre e sem risco

Pouco a pouco, me refiz
Agora, sou louco
Louco pela vida de giz."

domingo, 18 de julho de 2010

Fonte de luz

Os puros erram... e erram mais do que todos, pois vigiam cada movimento que dão. A única diferença dos outros: os puros aprendem.
Eles sentem a dor do erro duas vezes. Uma por si e outra para quem também se feriu... Os puros não são egoístas até em sentimentos.
 Quando fico perto de alguém e sinto uma energia boa me envolver, olho para os seus olhos. É lá que mora toda a paz que carregam. Eles não precisam de asas, de roupas brancas... Estão até em roupas pretas. Se distiguem mesmo é pelo coração quente e fraterno.
O que me agrada nisso tudo é o fato de ainda ter pessoas com caráter que não desistem facilmente se entregando aos vicios... Consomem virtudes!
Os puros são aqueles que erraram, que distribuiram lágrimas, que plantaram mentiras e depois de tudo, se arrependeram. Recomeçaram. Criaram forças e sorriram mais uma vez pra vida. Os puros somos nós que buscamos sem cessar a paz e damos aos outros o pouco que temos.
Na verdade, isso tudo é o sussurro da alma que pede por compaixão. Ouvir não é fácil... Mas é o difículdade que petrifica a  pureza.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Força, o nó que une.

Isso ultrapassa qualquer definição e descrição, por que "só quem sente, sabe".
 A força nasce de uma fagulha produzida por nós mesmos. Muita gente acredita que a força surge do nada, que temos de cria-la, de tirar do inexistente. Ledo engano. Ela está bem aqui, dentro de nós, a todo instante.
Começa quando produzimos endorfina e não sentimos nossos pés tocarem o chão. Começa quando amamos, quando nos doamos, quando compreendemos. É ai que ela é produzida e fica armazenada para quando precisarmos.

Situações diversas vemos todos os dias de sofrimento, em forma de caleidoscópio; o pessimismo, a falta de visão do futuro, o "tudo dá errado", "mas porquê comigo?"  é um instinto de "cuidado!" que nós mesmos desenvolvemos no decorrer da vida. A força que foi armazenada começa a surgir, mesmo que não queiramos. Ela vem bem calma, em forma de sinais, e se nós nos recusamos por opção, ela não nos abandonará.

O passado não pode deixar de nos pertencer, assim a força que criamos sem perceber, ainda está lá, pronta para ser usada, é só nos darmos a chance. Nos permetindo, ela vem a todo vapor, pois a força ama a felicidade: é assim que se gera mais e mais.
Incrível como a vida faz todo sentido assim. As situações mais dificeis que passamos e depois conquistamos outra vez o lugar ao sol, é uma ponte para que possamos nos sentir realmente fortes e pronto para tudo. Nada nos deterá nessa fase de conquista, ela é saborosa demais, prazerosa ao extremo, sendo assim não queremos perde-la. Por isso, quanto mais uma pessoa "sofre" e não desiste, mais pura ela se torna. Não importa quantas vezes errou, se ela realmente quiser, a força dela está armazenada nos momentos de alegria total que já passou. As lembranças são poderosas se soubermos usar saudavelmente.
Alguém que nunca sorriu, que nunca se permitiu, pode até encontrar a força... através da raiva. Mas essa eu não entrarei detalhes, pois é óbvia: nada que se constrói em sólo infértil, dará bons frutos.
Por isso, acredito realmente que, devemos sofrer sim, nos dar um tempo para sentirmos tristeza, mas que nunca nos falte a vontade de ter força para recomeçar... Ela está muito próxima. Está dentro de nós.

domingo, 4 de julho de 2010

Não é de minha autoria, mas merce um espaço aqui.

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olavo Bilac.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Parte 1 - Humanos.
"Queremos brincar nas nuvens, come-las como se fossem doce, deitar nas asas dos anjos; queremos caçar estrelas e quem sabe dá-las a quem amamos?; queremos elas como abajures. Pintamos com a ponta do dedo uma ponte até o céu, e logo estamos nós, tão próximos do sol... Queremos cidades inteiras de chocolate, um milagre por dia, uma insatisfação satisfeita; queremos algo que ande tão rápido que possamos estar em vários lugares em questão de segundos; quem sabe até, não queremos estar em dois lugares ao mesmo tempo? Queremos poder escorregar no arco-iris e no fim, achar o pote de ouro. E desejamos, loucamente, poder voar.
Queremos o que ainda parece ser impossível, por que o impossível é o que nos impulsiona a arte de realizar, onde só a nossa imaginação conseguiu chegar.
O possível, que é tão 'pequeno' e 'simples' já está ficando ultrapassado e sem valor..."

Parte 2 - Anjos
"Queremos poder brincar com as crianças, contar-lhe histórias antes de dormir; queremos deitar sob redes e ouvir o som das árvores e passarinhos; queremos poder dar a nossa coleção de conchas para alguém; queremos brincar em montanha-russas, queremos ficar em um lugar e ter unicamente alguém para proteger, queremos que sintam a nossa presença...; queremos poder tocar o chão de terra molhada, a areia fina da praia, o chão gelado das casas, e não só voar sobre tudo isso. Queremos poder dividir o ouro que o arco-iris esconde... queremos o pouco. O simples."


Agora, imaginemos se homens e anjos andassem sempre juntos, para um único fim. Impossível? Não... É tão simples. Mais, muito mais do que imaginamos.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

“Gosto do simples. Do cheiro de terra molhada e do orvalho. Gosto de uma conversa saudável, de amigos eternos, de família unida e presente. Gosto de cuidar, gosto da compreensão, da mudança, da fusão, do olhar e do sorriso. Gosto do que se soma, não do que completa. Gosto de todas as formas de amor, pois ele o único que sendo multiplicado, divide-se.

Errei e erro muito. Não tenho a pretensão de acertar sempre, mas de aprender. Eu sempre acho forças pra recomeçar. Tudo no meu tempo.

Tenho lá os meus momentos insanos e racionais. Sou, portanto, inconstante, imprescindível, espontânea, intensa e profusa.

Acredito nos meus sonhos e por isso não tenho medo de arriscar. Acredito nas pessoas, mas acredito ainda mais que, nada são sem Deus. E ter Deus para mim, está em cada ato, em cada palavra e a cada manhã. Ter Deus é não ter medo do impossível e acreditar na Sua fortaleza, em todos os momentos da vida.

E quando você achar que já me conhece o suficiente, eu vou te surpreender.”